Reflexão sobre o Dia Mundial da Água

Reflexão sobre o Dia Mundial da Água

No último domingo foi comemorado o Dia Mundial da Água. Em 22 de março de 1992, a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou a Declaração Universal dos Direitos da Água para que cidadãos, governos e corporações pudessem fazer uma reflexão sobre a utilização desse bem tão importante para a manutenção da vida no Planeta.

Hoje existe um movimento mundial para que a água seja utilizada com mais consciência, já que apenas 0,008% do que existe disponível é potável. Embora dois terços da Terra estejam cobertos de água, nem todo este potencial está disponível para o consumo humano. De acordo com a ONU, dois terços da população mundial devem enfrentar falta de água até 2025.

Todas essas questões foram discutidas no V Fórum Mundial de Água, realizada em Istambull, na Turquia. O evento, que terminou no último domingo, é o principal encontro de lideranças internacionais, realizado de três em três anos pelo WWC (World Water Council), fundado em 1996.

Em discussão a corrida contra o relógio para que possamos executar ações que ajudem os habitantes do Planeta. Já passou a metade do prazo para que os países cumpram os objetivos do milênio fixados pela ONU. A meta era fazer com até 2015, pelo menos, caísse pela metade o número de pessoas sem acesso a água e esgoto. Pelos levantamos iniciais este objetivo está longe de cumprido.

O sinal vermelho está acesso e a possibilidade de escassez já faz com que muitas empresas comecem a desenvolver programas de uso racional da água. Nos Estados Unidos um grupo de grandes companhias já adeririu à prática das “pegadas d’água”, sistema criado em 2002 pelo professor Arjen Hoekstra, da Universidade de Twente da Holanda.

De acordo com matéria da repórter Alexandra Alter, publicada no The Wall Street Journal,  em fevereiro deste ano, Hoekstra e outros pesquisadores mediram a quantidade de água usada para fabricar diversos produtos e aplicaram essas estatísticas aos padrões de consumo humano para obter uma estimativa do consumo médio por pessoas e países.

Todos os dados do trabalho, coordenado pelo professor Hoekstra, podem ser acessados no site da ONG Water Footprint, que está em inglês, espanhol e outros idiomas, menos em português. Lá é possível calcular as “pegadas d’água” de cada país e até o quanto cada um consome, de acordo com a renda e os hábitos alimentares.

No Brasil, a AmBev já deu início, em suas unidades de produção, a um programa de uso racional da água. No Relatório de Atividades de 2007 (baseado no sistema GRI), a empresa informa que em 2007 conseguiu reduzir para 4,19 litros o volume de água necessário para produzir um litro de cerveja. Em relação a 2002, houve uma redução de mais de 20%.

Dentro deste modelo, boa parte da água utilizada no sistema produtivo é empregada em processos modernos de reuso. Os resultados obtidos ocorrem graças à adoção do Sistema de Gestão Ambiental (ISO 14001), que é uma excelente ferramenta para diminuir o impacto do processo industrial no meio ambiente.

As grandes corporações já começam a perceber o peso que isso tem no negócio delas. A adoção de mecanismos de ecoeficiência permite agregar mais valor ao produto final, antigamente as empresas rejeitavam os altos investimentos em itens ligados à questão ambiental. Essa resistência custou muito caro para a humanidade, mas a mudança de mentalidade já é um bom recomeço.

Agora também está na hora de fazermos a nossa parte. Que tal começarmos a refletir sobre o assunto, e assim iniciarmos um trabalho na nossa casa, no condomínio, na empresa em que trabalhamos e, principalmente, nas escolas em que os nossos filhos estudam. Todos nós temos a nossa contribuição a dar. A hora é essa!

Para refletir I

Apenas 3% de toda a água do Planeta são próprias para consumo. O restante é salgada demais para ser consumida.

Dos 1,1 bilhão de pessoas, ou um sexto da população mundial, não tem acesso à água potável.  A ONU calcula que por dia morram seis mil pessoas por doenças ligadas ao consumo de água contaminada.

No Brasil, em pleno século 21, apenas 51,3% das residências tem saneamento básico.

De acordo com a ONU, no mundo 1 bilhão de pessoas sofrem com o problemas de escassez de água.

A poluição industrial deixou de ser o único vilão da história. O maior problema hoje enfrentado, principalmente, nos grandes centros é a poluição doméstica. Dois milhões de toneladas de lixo são lançados em cursos de água todos os dias no mundo. Quanto aos efluentes industriais 70% são lançados sem tratamento adequado nas águas.

Em 2005, cerca de 2,8 bilhões de pessoas viviam em áreas onde o consumo de água excedia em 40% a capacidade dos recursos disponíveis. Este número poderá chegar a 3,9 bilhões em 2030, caso políticas mais eficientes não sejam adotadas de imediato.

Fonte: Jornal O Globo – 22/03/2009

Para refletir II

Embora o Brasil detenha 12% da água do Planeta, o Brasil enfrenta problemas de distribuição desigual.

2,6 milhões de pessoas no mundo vivem sem saneamento.

US$ 56 bilhões são os investimentos previstos para novas plantas de dessalinização no mundo todo até 2030.

US$ 772 bilhões são a média anual de investimentos globais necessários para suprir até 2015 serviços de água e esgoto no mundo.

900 crianças morrem diariamente todos os dias por problemas ligados à água.

1,8 milhão de pessoas morrem diariamente por doenças de veiculação hídrica.

US$ 400 bilhões por ano é quanto movimenta o mercado global para infraestrutura de água e saneamento.

2 milhões de toneladas de lixo são lançadas em cursos d’água todos os dias.

24 milhões de quilômetros cúbicos de água doce do planeta se encontra sob a forma de gelo ou neve em regiões de montanhas, na Antártica ou no Ártico.

Cerca de 30% da água doce está no subsolo, em pântanos, no permafrost ou em bacias profundas a 2 mil quilômetros da superfície. Isso significa 97% da água em potencial do Planeta.

Cerca de 70% da água usada no mundo vai para a irrigação, 22% é empregada na indústria, 8% é consumo doméstico.

Cerca de 70% dos efluentes industriais, nos países em desenvolvimento são lançados, sem tratamento, em corpos de água.

2 a 4 litros é o consumo diário de água para cada pessoa, mas são necessários entre 2 mil a 5 mil litros de água para produzir a quantidade diária de alimentos por pessoa.

Entre 1991 e 2000 mais de 665 mil pessoas morreram em 2.557 desastres naturais, 90% desses eventos estavam relacionados com a água.

Em 60 das cidades européias com mais de 100 mil habitantes a água do subsolo tem sido utilizada a uma velocidade maior que a capacidade de reposição.

A população mundial de 6 bilhões de pessoas usa 54% de toda a água doce acessível e encontradas em rios, lagoas e aquíferos no subsolo.

O Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC) estima que a produtividade da agricultura que depende da chuva pode cair 50% em 2020.

Terras irrigadas no mundo somam 277 milhões de hectares, cerca de 20% de todas as áreas plantadas. Os outros 80% correspondem a agricultura que sobrevive da chuva.

A irrigação aumenta a produtividade das colheitas de 100% a 400% e culturas irrigadas respondem atualmente por 40% da produção de alimentos do mundo.

Desde 1900 o mundo perdeu metade das áreas pantanosas.

O setor alimentício é responsável por 40% dos poluentes orgânicos da água em países de alta renda e por 54% nos países de renda baixa.

Em 2025, 1,8 bilhão de pessoas estarão vivendo em países ou regiões com absoluta escassez de água e dois terços da população mundial viverá em condições de falta de água.

Fonte:  World Water Assessment Programme, Food and Agriculture Organization (ONU), Global Environment Outlook (GEO-4), Human Development Report 2006, World Business Council for Sustainable Development, United Nations Environment  Programme (Unep).

Publicado no Valor Econômico

 (Valor Especial Água(03/2009  e

 Revista EU$ (13/02/2009)

Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º – A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º – A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º – O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º – A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º – A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

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