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O presidente Lula, Barack Obama e a sustentabilidade

O presidente Lula, Barack Obama e a sustentabilidade

O presidente Lula está rindo à toa depois que foi considerado “o cara” pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Esse reconhecimento vem em um momento importante, quando os países desenvolvidos e as economias emergentes (G20) abrem um canal de comunicação para buscar consenso, em algumas questões que são primordiais para o mundo.

Se o governo Lula sofre de algumas síndromes e, às vezes, tem dificuldade em entender a realidade socioambiental do país, em relação à política externa o Brasil ganha papel de destaque e começa a ocupar um bom espaço no cenário mundial. O nosso presidente deveria aproveitar esse momento e também dar uma olhada no que começa a ser construído do lado de lá.

O Brasil pode ser um excelente parceiro, tanto nas lutas por melhorias sociais quanto no desenvolvimento de projetos inovadores na área de sustentabilidade. As pesquisas nas áreas de geração de energia renovável colocam o país em posição de destaque. Só que o presidente Lula deveria estar fazendo o dever de casa. O colega americano já começou.

Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos em um momento complexo e desafiador. Em meia à crise mundial, ele não abre mão de estimular a criação de projetos de sustentabilidade. Poucas vezes, vimos um presidente americano tão engajado e sensível a propostas de transformação econômica e social.

Barack Obama já deu sinais de que pretende cumprir os compromissos de campanha. Em relação ao meio ambiente, o governo americano quer transformar a matriz energética e gerar empregos com base em novas tecnologias. A meta é a criação de cinco milhões de empregos. O investimento para os próximos dez anos será de US$ 150 bilhões.

A General Motors, se conseguir sobreviver à crise e obter recursos do Tesouro Americano, terá que fabricar carros ecoeficientes. A mesma regra vale para todas as montadoras americanas. O que se vê, é um grande passo em relação ao desafio global de reduzir os impactos do processo de industrialização no meio ambiente.

Os planos são audaciosos e até 2025, o programa prevê que 10% da produção de energia venham de fontes renováveis. Obama quer reduzir até 2050 cerca de 80% da emissão de gases, responsáveis pelo efeito estufa. Essas ações vêm dar um pouco mais de esperança para quem luta por uma maior participação dos Estados Unidos no combate às causas que provocam o aquecimento global.

Neste cenário, Obama percebeu que o presidente brasileiro pode ser um aliado de peso na implementação de parcerias na área energética em favor do desenvolvimento econômico. A briga é pesada porque mexe com grandes interesses internos, principalmente, na área dos biocombustíveis e de outros grandes cartéis que não querem perder espaço.

A sustentabilidade não está na pauta do governo

Mas o que está em jogo não são os interesses das grandes corporações, agora é uma questão de correr contra o relógio para garantir o desenvolvimento de meios sustentáveis de produção. No Brasil, esse tema deveria estar na pauta central do governo Lula nas ações dentro do país.

Na execução de políticas de desenvolvimento econômico e ambiental falta diálogo dentro do próprio governo. A saída da senadora Marina Silva, do Ministério do Meio Ambiente, no ano passado, revela bem que o governo não tem propostas bem definidas sobre a questão do desenvolvimento sustentável. Faltam ações mais efetivas.

A região amazônica sofre com a devastação sem que o governo brasileiro tenha mobilidade para combater as ações de degradação na floresta. O que observamos são atos isolados, e muito tímidos para quem quer ocupar um espaço maior no cenário mundial. É preciso fazer a lição de casa.

Só para citar um exemplo, o governo Lula anunciou recentemente um pacote de R$ 34 bilhões para a área de habitação. O programa Minha Casa, Minha Vida prevê liberação de dinheiro para a aquisição de imóveis pela classe média e a construção de casas populares para famílias de baixa renda.

Uma exigência do governo é que os projetos priorizem a captação de energia solar e mantenha um sistema de aproveitamento da água da chuva. Embora seja uma boa iniciativa, é muito pouco para a quantidade de dinheiro que estará à disposição dos projetos habitacionais.

Tenho certeza que se houvesse um planejamento maior, o dinheiro disponível teria um impacto muito mais expressivo na questão da sustentabilidade. Da forma como está sendo elaborado tem mais cara de um programa eleitoreiro.

Sei que muitas famílias serão beneficiadas com a liberação de recursos para a habitação, só que perdemos mais uma vez a chance de sermos uma referência na elaboração de políticas de desenvolvimento sustentável. No blog do suplemento Razão Social de O Globo, coordenado, pela jornalista Amelia Gonzales, tem uma boa matéria sobre essa questão (Programa habitacional tem que ser sustentável), vale a pena conferir.

Mantenho uma tese de que os órgãos governamentais podem ser um excelente agente de implementação de boas práticas. Eles podem irradiar para os demais setores da economia ações de responsabilidade socioambiental. O planeta agradece. Obama parece que entendeu o recado do mundo, já Lula que é “o cara” deveria seguir os passos de seu colega americano.

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