Desigualdade salarial se mantém entre negros e brancos

Desigualdade salarial se mantém entre negros e brancos

A questão das minorias no Brasil sempre tem provocado acalorados debates. De um lado um grupo que luta permanentemente pela inclusão social dos excluídos, do outro lado grupos mais conservadores que resistem em ceder espaço para que se possa ocorrer um grande avanço sobre essa questão.

Quando falamos em responsabilidade social, principalmente, as ações que estão sendo colocadas em prática pelas empresas, a impressão que tenho é que se conhece pouco sobre as necessidades da minorias. Uma parte das instituições assistenciais do terceiro setor, às vezes, também desconhece as necessidades do grupo social para o qual presta auxílio.

Ao abordar esse tema quero chamar a atenção de empresas e instituições de que hoje não há espaço para a assistência social romântica. Hoje é preciso conhecer a fundo o público que se pretende atender, quais são as suas necessidades e o que efetivamente pode ser feito para transformar uma realidade.

O terceiro setor e as empresas por meio de suas ações precisam compreender que a realidade é muito mais dura e, por isso, é preciso entendê-la nas suas especificidades. Não basta estender a mão, levar o alimento ou executar um uma ação social. É preciso conhecer os detalhes para que também se possa provocar e mobilizar o poder público.

Aonde quero chegar? Quero chamar a atenção para um fenômeno que os estudos do IBGE identificou que é o crescimento da população economicamente ativa de pardos e negros. O instituto fez um comparativo entre os dados da Pesquisa Mensal de Emprego de março de 2009 contra marco de 2003 com relação à ocupação, escolaridade e rendimento.

A economista Adriana Beringuy, do IBGE, em depoimento publicado pelo jornal Valor Econômico (14.05), ressalta que dois grupos têm obtido avanços em termos de crescimento da renda e redução do desemprego, mas, isso tem ocorrido, de maneira desigual. “O patamar que os brancos atingem é maior do que aquele conseguido pelos pretos ou pardos”, comentou.

O Valor Econômico revelou ainda que “a renda média real dos pretos e pardos cresceu de R$ 690,3 para R$ 847,7 no período, enquanto a dos brancos subiu de R$ 1.443,3 para R$ 1.663,9”. A economista observou ainda que, no entanto, na comparação de março de 2009 com março de 2003, o rendimento médio de pretos e pardos aumentou 22%, enquanto a renda média dos brancos evoluiu 15%.

Isso é um bom sinal, mostra que existe o aumento do poder de compra de grupos sociais que estiveram, durante décadas, às margens da economia real e sem acesso a bens e serviços. Mas o  que me chamou mais a atenção nessa pesquisa foram os dados sobre a população economicamente ativa divulgado pelo jornal, que ressaltam algumas diferenças e indicam que as políticas sociais também precisam avançar em outras direções.

“No período, enquanto a população em idade ativa de pretos e pardos aumentou de 42% para 45,3% de março de 2003 para março de 2009, a de brancos diminuiu de 56,9% para 53,9%. Já a população desocupada de pretos e pardos atingiu 50,5% este ano, contra redução dos desocupados brancos, de 49,8% para 49%”, publicou o Valor Econômico.

Os dados acima mostram que em pouco tempo a população economicamente ativa de negros e pardos vai ultrapassar o número de brancos. Quando isso ocorrer é importante saber se esse grupo estará devidamente qualificado para ocupar um espaço no mercado de trabalho.

Outra questão que poucos têm coragem de abordar e de enfrentar é a questão do planejamento familiar. Os órgãos públicos são ineficazes e parte dos agentes envolvidos com as ações de responsabilidade social não tem desenvolvido uma ação efetiva que possa atender as comunidades de baixa renda.

Falo isso porque observo essa questão na prática. Em Petrópolis onde atuo como voluntário em uma ONG tenho constatado o crescimento no número de filhos de famílias de baixa renda. As famílias assistidas pela organização têm, em média, quatro filhos. Falo de uma cidade que possui o terceiro melhor IDH do Estado do Rio de Janeiro e de um grupo de cerca de 12 mil famílias que vivem abaixo da linha de pobreza e em situação de risco social.

Se isso ocorre em Petrópolis que tem a sexta maior renda per capta do Estado do Rio, imaginem nos grandes grotões que existem pelo Brasil afora. A questão do planejamento familiar é muito séria e precisa ser abordada por gente séria. No meu ponto de vista é uma das grandes raízes dos problemas sociais do país. A falta de informação aliada à falta de ação tem feito com que muitas gerações nasçam com uma sentença de condenação.

Cabe aos novos atores da responsabilidade social trabalhar esses grupos sociais. Acredito que é preciso provocar o poder publico, cobrar ações mais efetivas. As empresas que desenvolvem trabalhos comunitários também deveriam defender essa bandeira. Fazer palestra e conscientizar esse grupo social não é o suficiente, a minha vivência em comunidades mostra que é preciso fazer muito mais.

Os programas de Saúde da Família têm uma ação importante neste trabalho. Só que é preciso distribuir contraceptivos, orientar, acompanhar e promover uma mudança de consciência. Essa é a verdadeira política de segurança pública, que começa a ocorrer quando se ajuda a promover o desenvolvimento humano.

Desigualdade salarial se mantêm entre negros e brancos

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, permanecem as desigualdades entre o grupo de pretos e pardos, e o grupo de brancos no mercado de trabalho. brancos, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fez um comparativo dos dados da Pesquisa Mensal de Emprego de março de 2009 com a pesquisa de março de 2003, com relação às questões de ocupação, escolaridade e rendimento.

Segundo a economista Adriana Beringuy, do IBGE, os dois grupos têm obtido avanços em termos de crescimento da renda e redução do desemprego, mas de maneira desigual. “O patamar que os brancos atingem é maior do que aquele conseguido pelos pretos ou pardos.”

A renda média real dos pretos e pardos cresceu de R$ 690,3 para R$ 847,7 no período, enquanto a dos brancos subiu de R$ 1.443,3 para R$ 1.663,9. Adriana observou que, no entanto, na comparação de março de 2009 com março de 2003, o rendimento médio de pretos e pardos aumentou 22%, enquanto a renda média dos brancos evoluiu 15%.

No período, enquanto a população em idade ativa de pretos e pardos aumentou de 42% para 45,3% de março de 2003 para março de 2009, a de brancos diminuiu de 56,9% para 53,9%. Já a população desocupada de pretos e pardos atingiu 50,5% este ano, contra redução dos desocupados brancos, de 49,8% para 49%. A taxa de desocupação de pretos e pardos caiu no período de 14,4% para 10,1%. No grupo dos brancos, também houve redução, de 10,6% para 8,2%.

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