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A origem das coisas, o consumidor consciente e o combate ao trabalho escravo

A origem das coisas, o consumidor consciente e o combate ao trabalho escravo

Hoje existe um grande desafio de ajudarmos a construir uma nova consciência em relação ao consumo. O trabalho é longo e requer uma grande mobilização para que haja uma mudança de comportamento. Acredito que o trabalho inicial deve ser feito agora, em uma tentativa de identificarmos a origem de tudo que consumimos.

No Brasil, principalmente, não estamos acostumados a tentar entender a cadeia produtiva daquele produto que chega até a nossa mesa ou até o nosso lar. Sabemos que, para ser comercializado, um produto passa por diversos ciclos até a venda final. Sei que muitas pessoas não têm essa preocupação. Só que está na hora de ficarmos atentos ao que ocorre ao nosso redor.

No último domingo (19.04) a TV Record denunciou, no Programa Domingo Espetacular, o trabalho escravo no Norte do país. A matéria mostrou pequenos agricultores que trabalhavam na extração de açaí. Eles vivem dentro das matas em condições sub-humanas e, na maioria das vezes, longe da famílias. Adolescentes desde o 14 anos também foram flagrados pela reportagem.

Esses trabalhadores não têm direito a salários, porque o que eles ganham (cerca de R$ 8 por dia) é só para cobrir as despesas com a comida. Às vezes chegam ao final do mês devendo para o dono da fazenda. Os que trabalham na coleta sobem em cerca de 50 árvores por dia, os demais atuam como mula e transportam 50 quilos de açaí em cestos presos nas costas.

O fato denunciado pela reportagem não é uma ação isolada, e está presente em diversas atividades econômicas. Quando o açaí chega industrializado para consumirmos, não paramos para pensar de como foi o processo de plantação, coleta e beneficiamento do produto. O açaí rico pelas suas qualidades nutricionais, nos últimos anos, tem sido o produto da moda.

Só que quando chegamos a uma lanchonete e pedimos um suco de açaí, ou quando as pessoas que terminam de fazer os seus exercícios físicos nas academiais pedem uma tigela do produto, nunca pararam para pensar sobre qual foi o processo empregado para que a fruta pudesse chegar até ali para ser consumida. Para evitar dúvidas, deveríamos começar a exigir um selo que garantisse a procedência de todo o processo de industrialização.

Esse não é um caso isolado de flagrante de trabalho escravo. Hoje existe um esforço concentrado da OIT (Organização Internacional do Trabalho), ONGs e do setor empresarial liderado pelo Instituto Ethos de reduzir esse tipo de atividade ilegal no país. Uma pesquisa publicada em 2005 pela OIT em parceria com ONG Repórter Brasil identificou problemas nas cadeias produtivas das seguintes atividades: pecuária bovina, carvão vegetal, soja, algodão, madeira, milho, arroz, feijão, frutas, batata, cana-de-açúcar, entre outras.

A pesquisa é resultado do Pacto Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil, uma ação que mobilizou as empresas ligadas a essas atividades, para que não adquirissem matéria-prima de fazendas que fazem parte da “lista suja” de fornecedores que praticam o crime de manter pessoas em trabalho escravo.

Os dados mais recentes são de 2007 e indicam que 300 empresas ligadas a 170 fazendas estimulam o trabalho escravo. De acordo com a ONG Repórter Brasil, no país cerca de 25 mil pessoas são submetidas anualmente ao trabalho escravo em fazendas e carvoarias. A lista completa pode ser consultada no site  http://www.reporterbrasil.com.br/listasuja/resultado.php

Nem tudo está perdido e no final do túnel já começa a aparecer uma pequena luz. Empresas de peso na economia nacional já começam a aderir ao Pacto e mudaram a forma de se relacionar com fornecedores de matéria-prima, incluindo cláusulas de restrição comercial para quem utiliza trabalho escravo.

De acordo com a ONG Repórter Brasil, essa iniciativa já foi tomada pelo Carrefour e o grupo Pão de Açúcar. Um outro exemplo de ação em decorrência do acordo, foi o Wal-Mart que cortou relacionamento com frigoríficos que se negaram a boicotar pecuaristas que usaram trabalho escravo.

A ONG identificou ainda que os maiores distribuidores de etanol, como Petrobras e o Grupo Ultra (Ipiranga, Texaco) se tornaram atores no combate à escravidão no etanol devido ao Pacto Nacional, cortando fornecedores e criando um grave problema a usineiros que não cumprem a lei.

Mesmo com todas essas iniciativas, como consumidores podemos fazer mais, exigindo uma nova rotulagem dos produtos que consumimos. As informações devem estar claras e acessível. Se existe trabalho escravo é porque alguém ajuda a manter essa estrutura. Se alguém lucra é porque alguém compra.

Podemos fazer a nossa parte sendo consumidores mais conscientes. Que tal aprendermos a identificar a origem das coisas. Precisamos entender um pouco sobre os ciclos de produção daquilo que estamos comprando. Hoje não é possível sermos totalmente indiferentes a tudo que ocorre a nossa volta. Que tal começarmos a fazer a nossa parte.

Abaixo, assista ao vídeo com tradução em português sobre a origem das coisas. É interessante e muito educativo. Leve essa idéia adiante!

https://www.youtube.com/watch?v=7qFiGMSnNjw

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