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A insustentabilidade, os retrocessos ambientais e o modelo de não saber cuidar

A insustentabilidade, os retrocessos ambientais e o modelo de não saber cuidar

Na semana do Meio Ambiente não existem motivos para comemoração no Brasil. As ações governamentais e de boa parte dos nossos parlamentares deixam bem claro que essa turma é contra a vida, contra a Mãe Terra e tudo que possa auxiliar na promoção da sustentabilidade dos recursos naturais. É preciso uma mobilização muito grande da população para que possamos interromper essa escalada que já provoca sérios impactos no clima.

A recente briga entre o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc e a bancada ruralista, incluindo ministros de Estado, deixa bem claro de que lado que o governo está. A edição de medidas provisórias que favorecem a grilagem de terra e legaliza a ação de posseiros é um absurdo. Estão fatiando a Amazônia para facilitar a venda de terras e ampliar as áreas para atividades agropecuárias.

O estilo do Minc nós já conhecemos, às vezes é até exagerado, mas essa é uma luta muito solitária. A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, saiu do governo Lula como forma de protesto contra aquelas pessoas que são a favor da ilegalidade. Vale a pena ressaltar que no Brasil nossos heróis não morreram de overdose como dizia Ideologia, música escrita por Cazuza.

No Brasil, nossos heróis morreram no embate político e ideológico e dentro da arena. Não podemos deixar que a luta de Chico Mendes tenha sido em vão. Não podemos deixar que pessoas como a irmã Dorithy Stang morram sem que possam ser promovidas mudanças significativas no combate ao retrocesso. A legislação brasileira valoriza a impunidade, transforma em bandidos todos que lutam em favor da sustentabilidade do Planeta Terra e absolve os verdadeiros culpados.

Tenho usado esse espaço aqui como uma tribuna para defendermos as causas que garantam a vida e estimulem ações de sustentabilidade. No centro das nossas atenções deve estar o ser humano, não podemos ser tão egoístas a ponto de não entendermos que não somos nós o centro do universo. Um dia, com certeza, vamos embora e o que deixaremos para trás?

Sabemos que temos uma legislação ambiental rigorosa, mas é necessário ser assim. O que pode haver é uma forma de descomplicar um pouco, reduzir a burocracia, isso é possível. Já escrevi anteriormente que o Governo Lula não tem nenhum compromisso ambiental e, muito menos, com a sustentabilidade.

As obras do PAC estão emperradas porque em nome do desenvolvimento querem executar projetos sem respeitar a legislação em vigor. O mesmo ocorre na Amazônia, lá querem construir uma rodovia sem que possam ser assumidos os compromissos ambientais. Querem também em nome do agrobusiness ampliar as áreas de plantio e de pastagem. A sociedade precisa rever os seus conceitos e se mobilizar. Precisamos entender quais são as origens das coisas, para nos transformamos em cidadãos conscientes.

Em relação à Amazônia e ao aquecimento global, escrevi, recentemente, um artigo que falava dos rios voadores daquela região. Os dados já apresentados pelo estudo são bem alarmantes e mostram os efeitos do desequilíbrio climático no Brasil e em outras áreas. Vendo essas ações aqui no país me lembro do documentário The Corporation (A Corporação), produzido em 2003, que mostra a força dos grandes interesses econômicos internacionais que buscam lucros sem culpas e sem compromissos ambientais.

No Brasil não tem sido diferente, os interesses do agrobusiness são bem contundentes, eles também são bem agressivos na luta para ampliar o espaço de dominação. A WWF lançou uma nota pública contra esse desmonte da política ambiental brasileira. É estarrecedor quando nos deparamos com a estratégia que está sendo colocada em prática para desmontar um instrumento de reconhecida importância para o país.

O presidente Lula quando fazia oposição ficou conhecido por combater as maracutaias, hoje ele fecha os olhos e finge que nada acontece, porque acredita que o Brasil precisa crescer e, dessa forma, existe uma licença extraoficial para desmatar e poluir. A política desenvolvida pelo presidente é insustentável, o companheiro, com todo o respeito, se transformou em porta-voz dos interesses econômicos.

Essa fala não é discurso de esquerda presidente, ela é um clamor de todos que acreditam que a sustentabilidade deva estar ligada ao desenvolvimento econômico, social e ambiental. Os nossos legisladores precisam entender que para crescer não precisamos burlar as regras, precisamos cumpri-las. Lula deveria se lembrar das suas origens e da terra árida em que vivia. O que a sociedade consciente deseja é ajudar a construir uma nação sustentável.

Tem uma frase que gosto muito e que sempre utilizava quando produzia alguns vídeos sobre cidadania e questões ambientais. Irei trocar algumas palavras para que se encaixe na realidade do comentário. A mensagem diz o seguinte: Saber Cuidar do que é nosso, é amar a nossa cidade. Saber Cuidar é garantir a vida, cuidando da vida”. Precisamos entender que somente dessa forma vamos construir uma sociedade que possa ajudar a fazer a diferença.

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